Um vídeo não contém objetos que se movem dentro de uma imagem fixa. Ele contém uma sequência de imagens muito parecidas, exibidas em rápida sucessão. O movimento percebido é a diferença pequena e progressiva entre um quadro e o seguinte. Se a posição de um braço muda alguns pixels entre o quadro 1 e o quadro 2, e mais alguns entre o quadro 2 e o quadro 3, o cérebro interpreta isso como um braço em movimento.
Para gerar esse efeito, a IA precisa produzir cada quadro levando em conta os anteriores. Esse encadeamento é a continuidade temporal: cada quadro deve permanecer compatível com os que vieram antes. Na prática, isso significa manter a mesma identidade (o mesmo rosto, a mesma roupa), a mesma iluminação, o mesmo cenário e a mesma posição relativa dos elementos. Quando essa compatibilidade se quebra, o espectador percebe imediatamente: o rosto muda de pessoa, um objeto aparece do nada, o fundo se dissolve.
A continuidade não é um detalhe estético. Sem ela, a sequência deixa de ser lida como um único acontecimento e passa a parecer uma colagem de imagens diferentes. Por isso, gerar movimento é mais difícil do que gerar uma imagem: não basta acertar um quadro, é preciso acertar a relação entre dezenas ou centenas deles.